segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O “Orçamento do Estado” e o nevoeiro artificial

Os artigos de Maria Rosa Pinto e Fernanda Tavares, na última edição do “Impacto da Região” aguçaram-me o desejo de réplica face às ansiedades das respeitosas articulistas.

Neste país há muita gente a mostrar-se incomodada com a crise e no momento que passa, com a descoberta de um défice elevado do Estado.

Em primeiro lugar acho piada ouvir as pessoas dizerem-se incomodadas com a crise e apoiarem as forças políticas que trabalharam e trabalham para a crise: PS, PSD e até o CDS, autores das leis de protecção aos poderosos, permitindo que estes, sem pejo, espezinhem os direitos mais elementares do povo. Nos outros países, com os EUA à cabeça, a “música” é a mesma e as responsabilidades pela crise ainda são maiores. Roda livre para a Banca, para as seguradoras, para a existência dos preciosos offshores, por onde lavam o dinheiro sujo e fogem aos impostos, lesando o estado em centenas de milhões de euros.

Maria Rosa Pinto, com toda a sua candura, se me permite, utiliza a frase de alguns comentadores e políticos “iluminados” que advogam a “poupança” para sair da crise. Repare na contradição das suas palavras: “Os portugueses vão tentando dar voltas à crise, uns sem emprego, outros com trabalhos precários, outros com rendimentos escassos para fazer face às despesas do dia a dia, mas são advertidos de que necessitam poupar mais”. Veja bem à porta de quem bateu para sugerir poupanças!

Poupar, para não se entrar em crises, é o Estado gastar bem os dinheiros de todos nós. É regular bem para evitar abusos, enriquecimento ilícito e a corrupção que corroem o país.

Talvez não ficasse mal à Maria Rosa Pinto perguntar ao seu novo “amor”, o Paulo Portas, para que servem os submarinos (milhares de milhões de euros). O que mais precisamos é de submarinos… a não ser que tivessem alguma utilidade para a pesca da sardinha!...mas fui informado que nem para isso servem. Mesmo na compra dos submarinos e de outros equipamentos militares, quando Paulo Portas era ministro e assinou o contrato, há uma clausula que obrigava a contrapartidas, a favor do Estado, em materiais que deviam ser produzidos em Portugal, clausula essa não accionada, e que conduziria a mais de 2 mil milhões de euros de encomendas a empresas nacionais, com o evidente aumento do emprego.

É por estas e outras que sinto náuseas quando ouço os responsáveis pela governação de dezenas de anos a falar na pobreza e cujas soluções são sempre as mesmas: fazer apertar o cinto aos mais pobres.

Fernanda Tavares no seu artigo afina pelo mesmo diapasão de Maria Rosa Pinto, atirando-se a quem ganha pensões chorudas e algumas delas em duplicado e triplicado. Está bem…mas quem é responsável por isso é o Bloco Central de interesses. Ambas as articulistas apelam para a abdicação voluntária das mordomias, o que revela boa vontade ou alguma ingenuidade. A ética e a moral são palavras bonitas, mas sem suporte legal não chega a ser um edifício de papel.

Artigo de Opinião de Carlos Guinote hoje publicado no jornal Impacto da Região.

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