terça-feira, 2 de março de 2010

Políticas de Igualdade, a urgência por uma resposta socialista

8 de Março de 1857, Nova Iorque, operárias da indústria têxtil e do vestuário organizam um protesto contas as condições de trabalho e os baixos salários. 8 de Março de 1908, Nova Iorque, 15 mil mulheres marcharam nas ruas da cidade exigindo redução do horário de trabalho, melhores salários e direito ao voto. As suas reivindicações permanecem hoje tão actuais quanto no final do século XIX e princípios do século XX.

Na mais grave das crises dos últimos 30 anos, as desigualdades entre homens e mulheres acentuam-se, acentuando-se assim o atraso do país. E se disparidade se escreve no feminino, o desemprego assume igualmente condição de género. Em Janeiro de 2010, existiam em Portugal mais 30.562 mulheres desempregadas do que homens desempregados, espelho da dívida social para com as mulheres, a que acrescem todas as tensões e disfunções sociais emergidas de um estereótipo da vida da mulher reservada à vida familiar.

A este flagelo junta-se o drama da violência doméstica cuja carência de respostas sociais não pode continuar a ser escamoteada. Entre 2004 e 2009 foram assassinadas pelos seus companheiros ou ex-companheiros 201 mulheres. Entre 2008 e 2009 este tipo de crimes aumentou 128,5%. Todos os dias, 18 mulheres, 2 crianças e 2 idosos são vítimas de crime. Até quando vamos recusar a urgência em encontrar soluções que integrem esta especificidade?

A esquerda socialista procura respostas inclusivas, que englobem todas as dimensões sociais, etárias e de género, no combate à desigualdade e na promoção do bem-estar e segurança das populações. Para todas as vítimas em contexto doméstico, mulheres, crianças e idosos, devem ser desenvolvidas todas as medidas de proximidade e de apoio.

Nesta medida, os municípios devem assumir como prioridades as políticas de solidariedade e de promoção e defesa dos direitos humanos, procurando desenhar instrumentos que permitam conhecer exaustivamente os concelhos em termos da igualdade de género, seja na participação social, política ou profissional, e desse modo melhor agir.

Na sessão da Assembleia Municipal de Palmela da passada semana, o Bloco de Esquerda apresentou uma recomendação para a criação de uma Casa Municipal de Acolhimento Temporário para mulheres, crianças e idosos vítimas de violência doméstica, bem como a construção de centros de atendimento jurídico e psicológico às mulheres vítimas de violência doméstica em cada freguesia do concelho. PCP e PSD rejeitaram a moção, rejeitando pautar a sua actividade pelo desenvolvimento das medidas de cooperação e apoio às vítimas deste tipo de crime público.

Cidades mais justas e igualitárias, e por isso mais democráticas, assumem uma posição proactiva para a reversão das relações de poder para mudar a vida dos grupos sociais mais carenciados. Urge o compromisso político, o combate ante a injustiça, a coragem de adoptar todos os passos pela igualdade. Em 2010. Já vamos tarde.

Artigo de Opinião de Ana Sartóris hoje publicado no Jornal do Pinhal Novo.

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